O Homem Católico e o Namoro

setembro 18th, 2014

Namoro Católico - Cristão - castidade - homem - mulher - Amor de Deus

Por Maria Tereza Colares
Comecei a perceber que as vantagens de um relacionamento cristão eram muito maiores do que eu imaginava no consultório da minha terapeuta, quando ela me perguntou se eu não queria namorar por medo de uma possível relação sexual e, assim, ela descobriu que o namoro pelo qual ela tanto lutava para que saísse do impasse seria bem diferente do que habitual.

“Católica”, entre aspas mesmo, como estamos acostumados, usou da minha escolha para me mostrar o quanto eu tinha sido agraciada por encontrar quem levasse Deus a sério: “Menina, homens religiosos são garantia de felicidade! Levam o namoro a sério, sabem amar, respeitar e tratar bem, são mais carinhosos e, quando é o caso, têm casamentos duradouros e felizes”, esse foi o discurso que eu escutei por bastante tempo, até o bendito sim.

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Testemunho Vânia de Souza e Leandro do Nascimento Vieira

setembro 12th, 2014

leandro e vania

Foto do nosso noivado realizado na Santa Missa do Sagrado Coração de Jesus no dia 28/06/2014 no Convento de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro na cidade de Campos dos Goytacazes – RJ cidade do meu doce e amado amor Leandro.

 

 

Vânia

Estamos namorando desde 28/01/2013, Noivamos dia 28/06/2014 e se Deus quiser nos casaremos dia 28/12/2014. Data do casamento já agendado na Igreja.

Como nos conhecemos:

Eu e o Leandro, nos conhecemos através de um site católico, chamado Namoro Católico….

Me inscrevi em 05 de julho de 2012 e ele dia 14 de janeiro de 2013 se não me engano.

Todos os dias eu entrava conversava com algumas pessoas, fiz amigos lá também, mas ninguém que mexesse comigo.

Por volta de 15 de janeiro conheci um outro moço que mora em São Paulo, conversamos, mas ele era um pouco mais novo do que eu e não o senti muito maduro, mas mesmo assim quando ele disse que queria me conhecer disse para rezarmos antes que isto acontecesse e ouvíssemos o que Deus nos diria, pois era o primeiro dia ainda…

Em 24 de janeiro (dia de São Francisco de Sales) as 08h19 da manhã, eis que eu entro no site e o Leandro estava On Line, nunca tinha conversado com ele, porém já tinha visto o perfil dele que me encantou e muito. Amei ler o que ele pensava sobre o namoro casto e o desejo que ele tinha de encontrar uma pessoa que tivesse o mesmo desejo…

Pedi a amizade dele e fiquei aguardando ele me aceitar no seu grupo de amigos…

1o. dia da conversa: 24 de janeiro de 2013 ficamos conversando por 9 horas seguidas…

Dia 28 de janeiro após 4 dias de conversas intensas decidimos trocar celulares, emails e nosso coração já queimava desde o primeiro dia, tínhamos a certeza que eu era sua Maria e ele meu José, mas não falamos nada. A alegria que invadia nosso coração era inteiramente algo de Deus e rezamos. Na noite de 28 de janeiro, partilhamos algo que estava no coração dos dois, nos conhecermos e no inicio da quaresma começamos a rezar todos os dias, uma oração que Deus colocou em nossos corações, meia em mim e meia nele.

28 de fevereiro: 1o. mês de namoro

Enviei um vasinho de flor para ele em comemoração ao nosso primeiro mês…

28 de março: 2o. mês de namoro

Leandro me pede que naquele dia rezássemos nosso terço diário diante do Santíssimo. Estávamos fazendo uma novena pedindo a Virgem Santíssima que intercedesse por nosso primeiro encontro. Com a correria daquela semana tanto para mim quanto para ele devido aos trabalhos, estávamos atrasados Seis terços, e nossa oração de preparação da quaresma para nosso encontro que estavam quatro atrasadas.

Leandro sugeriu que eu fizesse no Santíssimo perto de casa (em Campinas onde estava) e ele no Santíssimo perto da casa dele.

Desde 27 de março ele já estava preparando uma linda surpresa para mim….

Ele havia me avisado que só poderia vir para Campinas dia 29 de março – sexta feira santa, pois na quinta trabalharia normalmente… Eu acreditei…

Na quarta a noite ele saiu de Campos dos Goytacazes rumo a Campinas e sabia que eu não estaria trabalhando aquela semana, pois havíamos emendado aqui na prefeitura…

Ele perguntou qual era a Igreja que eu iria adorar Guadalupe ou na Perpetuo Socorro e eu disse na Guadalupe, pois na Perpétuo o pessoal estava arrumando para a Missa de Lava Pés…

Quinta bem cedo tínhamos combinado de nos encontrar de coração diante do Santíssimo as 14h00. Ele lá e eu em Campinas… Depois ele pediu que fosse as 14h30, pois ele tinha se atrasado e a Igreja que ele fora estava lotada, não daria para rezarmos no celular como sempre fazíamos…

Depois mandou outra mensagem para as 15h00, disse que já estava chegando e ao chegar ele me ligaria para começarmos a rezar…

As 15h00 ele me ligou, falou oi e desligou…

Imaginei que teria caído a ligação…

Eu estava no Santíssimo de bermuda e camiseta, com minha bolsa, cabelo só relaxado quimicamente mas sem fazer pé, mão e escovar o cabelo… Tudo isto estava agendado para as 16h30 no salão…

As 15h03, alguém colocou a mão no meu ombro e eu estava ajoelhada adorando…

Ele sentiu Deus falando com ele, como Jesus disse a Virgem Maria. Mulher eis aí teu filho… e a João eis aí tua mãe.

Para o Leandro, ele ouviu Jesus dizer eis aí tua esposa que você me pediu e você é o marido que ela me pediu. Da mesma forma que ela me adora, faça o mesmo que ela, e juntos viverão a santidade…

Ele colocou a mão no meu ombro e quando eu olhei para trás era ele….

Fiquei com cara de boba rs, detalhe, com vergonha pois não estava do jeito que eu queria arrumada para ele, mas ele me amou pelo que eu era de verdade, sem maquiagem, sem roupa chique, eu na minha simplicidade…

Rezamos nossos 6 terços de mãos dadas e nossas 4 orações…

Sexta fomos a celebração da Cruz na Divino Salvador pois ele ficou hospedado no Dann Inn (Julio de Mesquita), a noite fomos para a casa da minha mãe para ele conhecer minha mãe e meus irmãos, mas só o Fausto, Valquíria, Julio, Wellington e minha mãe estavam em casa e o conheceram.

Leandro pediu a minha mão em namoro para minha mãe e meu irmãozinho na falta do meu pai…

Sábado fomos na minha mãe a tarde, almoçamos, depois fomos a Vigília Pascal a noite. No domingo participamos da Missa na Catedral as 07h30, depois no Colégio Ave Maria pois uma irmã religiosa queria conhecê-lo… Esta querida Religiosa na semana que o conhecia me havia enviado um email perguntando se eu não gostaria de ser uma religiosa.

Leandro é uma das lindas promessas de Deus na minha vida…

 

Leandro

Bom dia a todos os organizadores
do site Namoro Católico, berço de nossa união em Deus!

Sim, estamos namorando desde 28 de janeiro de 2013
e noivamos no dia 28 de junho de 2014. Estamos atualmente
nos preparando com grande alegria para o dia de nosso enlace.

Já fizemos nossa habilitação civil no cartório para o casamento
perante juíza ocorrer em 28 de novembro, e já esta tudo indo
para que recebamos o sacramento do matrimonio no dia 28
de dezembro. Ela está fechando em outubro uma pós graduação,
e anteontem fiz defesa de minha dissertação de mestrado
perante universidade. Ambos cursos, em nossas
respectivas áreas profissionais que determinamos
dedicar para abertura prática dos dons que Deus nos deu:
eu, designer; ela, assistente social.

Sendo da vontade do Senhor Jesus, portanto, iremos
ainda este ano nos casar! Sou o Leandro, da Vânia. Ela que
lhes escreveu com muito carinho a cerca de nossa história,
e já temos sim uma fotografia que simboliza muito bem nossa
felicidade em Deus, alegria suprema de estarmos realizando
nosso sonho juntos de nos unirmos castos como é de orientação
do Cristo e como tal é o desejo de nossa Amada Igreja Católica.

A virginidade de corpo que nos é comum, é nosso motivo
maior para louvarmos a Deus pois sempre desejamos que
a pureza e a entrega total nos acompanhasse a vida na face
da esperança e da vontade de sermos do Pai e de testemunharmos
o Amor do Criador por meio de posturas tão claras que o Uno e Trino
nos orientou por uma vida inteira.

 

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O que há de tão ruim na pornografia?

setembro 10th, 2014

Há alguns anos, meu filho com então 13 anos de idade e eu estávamos voltando para casa de um treino com bola quando de repente ele perguntou: “Pai, o que há de tão ruim na pornografia?”.

Isso é o que nós pais chamamos de perguntas incômodas. Eu não tinha interesse em manter uma conversa sobre mulheres nuas com o meu menino, que era como eu ainda o via. Eu só queria chegar em casa para o jantar.

Além disso, eu tenho estado aqui dizendo que já que um garoto tem idade o suficiente para mostrar interesse nas formas femininas que ele deveria ficar longe de pornografia, e agora eu estava sendo convidado a defender essa posição. Por que não poderíamos falar sobre esportes?

Mas eu sabia que não poderia ignorar a questão. Então eu pensei sobre isso por um minuto enquanto fingia estar baixando o volume do rádio, e aqui está basicamente o que eu disse a ele.

  • 1. Pornografia é ruim porque degrada e explora as mulheres

    A verdadeira marca de um homem não reside na sua definição muscular ou sua conta bancária ou até mesmo em quantos filhos ele gerou. Um homem de verdade é definido pela forma como ele trata as mulheres: com respeito, com cortesia e com deferência.

  • 2. Olhar fotos de mulheres nuas não é respeitá-las

    Sim, eu sei que quase todas aquelas mulheres escolheram posar sem roupa. Muitas foram muito bem pagas para fazê-lo, até mesmo aquelas que nunca tiveram um programa no Canal da Disney.

    Não importa. Um homem de verdade mostra o respeito por todas as mulheres, não apenas por aquelas que achamos que merecem. Se algumas mulheres não respeitam a si mesmas, isso é problema delas, não nosso.

  • 3. Além disso, a pornografia é uma coisa má, porque é muito viciante

    Dependência, seja para drogas, jogos ou pornografia, nunca é boa. Ela arruína vidas e famílias. Ela distorce a forma como olhamos o mundo, domina nosso tempo e pensamentos, nos transforma em pessoas que nunca pensamos nos tornar.

    E, assim como a dependência de drogas, vício em pornografia exige cada vez mais estímulo. É por isso que você lê ou vê reportagens sobre homens com literalmente milhares de imagens pornográficas em seus computadores, e eles gastam a cada dia horas on-line com pornografia. Isso é jeito de viver?

  • 4. E, finalmente, a pornografia é ruim, porque é como ácido clorídrico na alma

    Ela corrói a parte que nos torna em algo mais do que animais escravos dos desejos físicos. Isso nos leva a ver as mulheres como coisas, não como pessoas, e enfraquece nossa capacidade de empatia, o que torna quase impossível para nós, como homens, ter relações normais e saudáveis.

    Uma vez tive a oportunidade de servir como um conselheiro leigo na minha igreja, trabalhar com homens cujas vidas e casamentos foram caindo aos pedaços. Muitos tinham sido infiéis às suas esposas, alguns compulsivamente. E o refrão comum, a única coisa que eu ouvi de cada um deles, foi que tudo começou com a pornografia.

    Então, não, filho, a pornografia não é um “crime sem vítimas”. Ela tem um monte de vítimas. E se você não evitá-la com a mesma energia que você usa para evitar sua mãe quando ela tem um daqueles frenesis de limpeza, uma dessas vítimas será você.

    Traduzido e adaptado por Stael Pedrosa Metzger do original What’s so bad about pornography?.

  • Nota do Namoro Católico: este artigo é de um autor protestante, mas o publicamos por ser válido nos pontos tratados sobre a pornografia.
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O mito da socialização

junho 18th, 2014

Por Camila Abadie

“Dêem-me quatro anos para ensinar as crianças, e as sementes que eu plantar jamais serão extirpadas.” Lênin

Um dos argumentos mais frequentemente defendidos por professores, psicólogos, pais e familiares contrários ao homeschooling não diz respeito à qualidade de ensino, mas ao “fato” de que as crianças precisam se socializar, precisam conviver com outras crianças, precisam aprender a se relacionar, a lidar com as diferenças, etc. E quanto mais as famílias encolhem, restringindo a prole a uma única criança, mais parece fazer sentido um tal argumento. No entanto, algumas coisas me fazem duvidar da boa-intenção por trás da socialização.

É importante ter amigos, é importante conviver com outras crianças, todavia a infância não é um fim em si mesmo. É, eu sei, os românticos de plantão acabam de desmaiar, mas a verdade é que, tão necessário quanto brincar é o aprender a ter responsabilidades. Passa-se a maior parte da vida na idade adulta e é para ela que a criança deve ser preparada. Mas como dar-se-á uma tal preparação se a criança convive majoritariamente com iguais, com outras crianças, e não com pessoas de diferentes faixas etárias? Quem dentre elas apontará o caminho para aquilo que devem vir a ser, se, ao redor de si, há apenas quem reforçe, seja por meio da diversão ou por meio da disputa e da inveja, aquilo que já se é? Repito, brincar é necessário, é bom, é saudável, mas não é tudo. A ênfase excessiva nos direitos gera adultos que não sabem lidar com deveres, como vemos cada vez mais todos os dias.
Além disso, a ideia de que a criança aprende a se relacionar no contato com outras crianças parece-me um tanto artificial. A criança não nasce de crianças nem entre elas, mas de adultos e entre eles, entre mãe e pai. É na relação com eles e na observação da relação entre eles que a criança aprenderá a relacionar-se. Se vem de um lar violento, a criança muito provavelmente será violenta com os demais. Se vem de um lar amoroso, muito provavelmente será amorosa. Se vem de um lar onde não recebe limites, não saberá conter-se e refrear-se, mas tentará sempre obter tudo o que lhe agrada. Claro, quanto maior for a família, tanto a nuclear quanto a ampla, melhor, pois maior será a diversidade de situações nas quais a criança aprenderá a conviver. No entanto, são a mãe e o pai aqueles que servirão de mestres e de estabelecedores do fundamento emocional para os relacionamentos que virão ao longo da vida, não os professores, colegas e amigos.Outro argumento comum é aquele que fala sobre a necessária aprendizagem do convívio com os diferentes. Sim, mas pergunto: as pessoas, numa família, são todas iguais? Não possuem, cada uma, o seu temperamento, o seu jeito de lidar com as coisas, suas preferências, seus sonhos? Não é este o ambiente adequado para, debaixo do cuidado e supervisão dos pais, a criança aprender a lidar com as diferenças? Ou aprender a lidar com as diferenças é sinônimo de ser obrigado a permanecer no mesmo ambiente com quem, não raras vezes, é radicalmente diferente? Isso, para mim, assemelha-se mais a um presídio do que uma escola. Afirmar que a criança precisa da escola para se socializar soa-me tão natural quanto afirmar que um bebê necessita de uma cadeira para ser gestado. Socialização é um processo gradual que deve começar na família nuclear, expandir-se para a família ampla, para a igreja, para as famílias dos amigos dos pais e só mais tarde, quando a criança já não for mais criança, mas um jovem com convicções definidas e firmes, para a sociedade.

E já que falei em juventude e em convicções, relembro aqui, mais uma vez (e perdoem-me os leitores assíduos, pois devem estar cansados da constante referência), o Maquiavel Pedagogo. Na obra, o autor explicita a comprovada técnica na qual, quanto mais cedo as crianças forem afastadas do ambiente doméstico, mais suscetíveis tornam-se às mais diversas influências externas. Em outras palavras, crianças (e quanto mais novas forem, melhor) não possuem as capacidades cognitivas suficientemente desenvolvidas para compreender quando estão sendo manipuladas ou forçadas a algo que contraria frontalmente o modo como vive ou aquilo em que sua família acredita, nem possuem estrutura emocional para resistir à força da autoridade dos professores ou da pressão dos colegas. Ou seja, a um governo comprometido com a destruição das famílias e da instauração de um regime totalitário, nada melhor do que crianças que podem ir já aos 6 meses de vida para as creches estatais, ou, na “pior” das hipóteses, que irão obrigatoriamente aos 4 anos para a escola.

Aos pais é que cabe a decisão de quando e como as crianças devem participar de um convívio social mais amplo, não ao Estado. Socialização obrigatória não é socialização. É prisão.

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Auto-domínio e mimos

junho 18th, 2014

Fonte: J. Urteaga, Deus e os filhos, Ed. Quadrante, p. 210-214

 mae rezando

Faz deles homens fortes

 Auto-domínio e mimos

 “É desonra do pai ter gerado um filho indisciplinado”. (Ecl 22,3)

“O rapaz mimado é a vergonha da mãe”[1]. (Prov 29,15)

 Pais, deveis pensar que bem cedo tereis de separar-vos de vossos filhos. Se esta perspectiva vos entristece, é por causa disso a que chamais amor, mas que é egoísmo.

Se os educais para vós, estais a perder tempo; perdereis os filhos e, possivelmente, causareis a perdição deles mesmos, porque educastes mal os homens do futuro.

Não se trata de “conceder” alguma liberdade aos filhos; nem sequer de que estas liberdades seam muitas. O problema é muito mais profundo. A questão é que os vossos filhos vivam o sentido da liberdade.

Só os homens que se auto-dominam podem ser homens livres. O sentido da liberdade não pode existir em jovens escravos dos caprichos pessoais. A liberdade, em primeiro lugar, liberta-nos desta escravidão.

A liberdade opõe-se tanto ao autoritarismo dos pais como ao mimo que escraviza os filhos.

Mãe, amas os teus filhos com um amor todo feito de açucar, com um amor que é uma mistura de ternura e de melaço.

O amor, se é autêntico, deseja o bem da pessoa amada; por isso é feito de compaixão e de coragem, de paciência e de intransigência, de compreensão e de firmeza.

O mimo não é amor, é frivolidade. No amor, damo-nos; no mimo, procuramo-nos. Mimar é procurar compensações no amor.

Pais, o mimo é um dos vossos males. Aqueles que tiveram de lutar a sério na vida, de transpor barreiras e obstáculos sem conta, de suportar cotoveladas e pacandinhas nas costas de amigos e inimigos, todos esses pretendem fazer da vida dos filhos uma vida fácil. Trata-se de um daqueles erros que se pagam caro aqui na terra.

Também vós, que fostes educados autoritariamente, correis o mesmo perigo, porque, por reação contra os excessos sofridos, pretendeis adocicar excessivamente a vida dos vossos.

Dais a eles todas as comodidades; evitai-lhes toda a espécie de imprevistos e dificuldades; se pudésseis – mães fracas – sofreríeis em vez deles; prodigalizais-lhes mimos que debilitam a sua vontade; satisfazeis todos os caprichos. Com o pretexto de protegerdes, negai-lhes as mais pequenas ocasiões de adquirirem experiência. É lá convosco.

Os mimos, as carícias, os dengos, as beijocas contribuem para fazer de uma criança[2] normal, que pode ir longe na vida, um ser absolutamente inútil.

Se os teus filhos não apredem hoje a dominar-se na batalha dura da puberdade[3], haveis de vê-los amanhã convertidos nuns farrapos sem força, sem autoridade, à mercê de todas as ondas, de queda em queda, de fracasso em fracasso. Nem o dinheiro, nem o nome, nem a posição social, nem o talento terão força suficiente para calar o grito da consciência. Será que foi para isso que os trouxestes ao mundo?

Não procureis garantir aos vossos filhos uma vida fácil; é necessário temperá-los, para que possam arrostar uma vida dura. Habituai-os ao esforço. Habituai-os mais a querer do que a desejar.

“Se o homem não tivesse tido de lutar contra o frio – diz Chevrot -, ainda hoje viveria em cavernas”.

A vida dos vossos filhos será bela se, em face das adversidades e em face da contradição, mostrarem esforço, luta, renúncia, vitória, superação.

Se quereis torná-los livres, tornai-os fortes.

Quando os virdes sofrer, não vos deixes comover. Não lhes mintais quando os levardes ao médico. Não tenhais receio de lhes exigir esforços. Confiai na sua rijeza. Estimulai o heroísmo latente que reside na alma de todas as crianças.

As crianças, no colégio, não choram por causa do ardor do álcool na ferida; choram em casa, quando a mãe junta ao álcool um “pobre filhinho, como sofre!”.

Preferis uma educação viril? Então tomai nota.

Uma hora certa para se levantarem.

Uma hora certa para se deitarem.

Mais chuveiro frio do que banho quente para se lavarem.

Se a criança não está doente, que coma o que lhe põem na mesa, sem contemplações.

Não há desjejuns nem leituras na cama.[4]

Na cama, qualquer espécie de bolsas de água quente está sobrando.

É inadmissivel que as crianças peçam às empregadas aquilo que podem fazer por si próprios.[5]

Os meios de transporte para ir ao colégio são os pés, o metrô e o ônibus; quando muito, a bicicleta; mas nunca o carro do papai, “não seja que o menino se atrase”.

Ensina-os a acabar bem as coisas. É um aprendizado que custa, possivelmente uma das artes mais difíceis de praticar.

E…joga-os na água – onde não for preciso um homem-rã para tirá-los-; mas joga-os na água.

Pede ao Espírito este dom de fortaleza para os teus filhos: ele acrescentará à rijeza humana, que vão adquirindo com o esofrço repetido, uma alegria e uma facilidade que revelam o auxílio divino.[6]

Mas se o que tu procuras é uma educação mais de acordo com os teus caprichos, transcrevo-te umas linhas que foram escritas à sério, ainda que soem a brincadeira: “Parece-nos que o corno da caça é o instrumento mais adequado para acordar as crianças – diz o Diretor da Nova Escola de Aquitânia-. Começa-se o acordar por uma alvorada quase imperceptível, como se o alento mais se insinuasse no instrumento; pouco a pouco, aumenta-se a intensidade das notas; muito depois, toca-se e volta-se a tocar; e as crianças ouvem o fim dos sonhos a mesma música com que se anuncia o seu despertar. Sem comoções, sem sobressaltos, sem estridências, nasce a vida na escola como o sol no horizonte…”.

Se queres divertir-te com o novo método, compra um corno de caça; mas se o que tu pretendes é que as crianças se levantem, deixa-o cair sobre eles. O acordar sempre há de ser aborrecido.

É preciso tomar as crianças a sério; não são brinquedos dos pais. Mas também não podem ser brinquedos deles próprios. Todas as crianças tem um rei na barriga; um rei que não se deve matar nem escravizar; um rei que, embora educado em liberdade, deve estar ao serviço dos outros. Uma vida de mimo e capricho transforma esse rei no protagonista, na personagem importante, no centro do mundo familiar: outro erro perigoso e insuportável,

Agora que os teus filhos vão ganhando gosto pela leitura, oferece-lhe Caminho e deixa-o aberto no ponto n. 295: “Se não és senhor de ti mesmo, ainda que sejas poderoso, dá-me pena e riso o teu senhorio”.

Liberdade! Domínio de si mesmo! Disciplina! Vontade! Se o que pretendemos é fazer dos teus filhos homens com senso e responsabilidade, convence-te de que precisam de muita liberdade, de capacidade de deliberação, de decisão e de uma vontade forte.

 

 

[1] Tradução da Bíblia Ave Maria: “[Vara e correção dão sabedoria]. Menino abandonado à sua vontade se torna a vergonha da mãe”

[2] No original está “rapaz”, mas adaptaremos todas as vezes que aparece este termo por este outro: “criança” porque o mal causado é para ambos os sexos.

[3] O autor fala da puberdade neste capítulo, porém, seguindo o educador Monsenhor Álvaro Negromonte, é lícito afirmar que a criança deve ser educada para o auto-domínio deste os primeiros instantes da vida.

[4] O que dizer então de TV, internet e filmes deitados na cama? Nem pensar.

[5] Nem à empregada nem à ninguém. Aqui entraria também a necessidade de educar os filhos a ajudarem na lida da casa, diariamente, a não ser que queiramos filhos totalmente ingratos e preguiçosos.

[6] N.E. Se o teu filho resmunga por ter que dobrar a roupa que ele usou ou lavar o banheiro é sinal de que já está com o vício da preguiça e acostumado com a ingratidão. Quando ele começar a ser treinado (e o treino no início é um martírio para quem teve tudo nas mãos), sentirá repulsa até que, com perseverança da mãe que o treina e dele, começará a sentir alegria e, finalmente, ele mesmo pedirá para ajudar.

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