O sexo pode esperar

28 07-2012
O sexo pode esperar

Por André Pessoa

O relacionamento entre duas pessoas de sexo oposto  pode ter diversos matizes que se secundam.

O laço que une um casal de colegas está centrado na tarefa que executam juntos. Pode ser que ambos se ajudem mutuamente para alcançar um fim comum, ou  compartilhar algo que admirem. Ambos se enriquecem em habilidades específicas ou conhecimento geral.

O convívio de dois colegas tende a ganhar consistência e se transformar em amizade. O compartilhar das aspirações e sentimentos  mais íntimos obtém como resposta o conforto e a sinergia de convicções e valores. A amizade eleva o interesse mútuo à busca da melhora do outro como ser humano. Ambos adquirem espessura e se enriquecem em virtudes e valores.

Seria aquela afinidade o prenúncio de duas almas gêmeas?  Para testar esta hipótese, iniciam o namoro, onde a expressão mais pura da afetividade se soma à amizade. Durante esta fase ambos experimentam a capacidade de conviver e de esboçar um ideal comum. O projeto do enlace definitivo, a ser concretizado futuramente, é o que une os namorados e os noivos. Enquanto isso, ambos crescem em confiança e em conhecimento mútuo.

Através do matrimônio, o casal assume o compromisso para todo o sempre. Corpo e alma fundem-se em um ser único, com o fim de gerar e educar a prole. Os valores solidarizados a dois  sustentam, potencializam e projetam ao mundo cada um dos membros da família que  formam.

Por outro lado,  hoje em dia é comum a antecipação da união dos corpos para a  época do namoro ou noivado. A inversão da ordem natural dos fatores sulca o coração e deixa cicatrizes.

A razão de ser do namoro se desvirtua, pois a afetividade deságua prematura no âmbito corporal. O encontro das almas, que deveria aprofundar as sutilizas da convivência desinteressada e da amizade, passa a se afogar na química hormonal.

Ó paixão que cega, fruto do desejo irreprimido e inoportuno que turva a percepção das incompatibilidades e defeitos de caráter do outro, quando estes deveriam ser descortinados!!!

Prometem… Mas, imersos na incerteza, adiam o compromisso definitivo. A impaciência atropela o bom senso e arranca o broto pela raiz,  exigindo a entrega do corpo. Juram ser definitivo, mas paradoxalmente não assumem de fato, com argumentos pouco consistentes. De promessas e boas intenções está cheia a infelicidade.

Grande semelhança há entre o que “fica” por uma noite sem ao menos saber o nome e aquele que não consegue que o sexo espere. Ambas as relações estão centradas no corpo do outro, tendo como moeda de troca o próprio corpo.

O namoro perde sua razão de ser, pois se antes era instrumento de crescimento de confiança mútua, agora se entorpece de desconfiança e de jogos de sedução.

Desaparece a saudável liberdade do namoro, de que um dos dois pudesse em tempo concluir não  ser a outra sua alma gêmea. Ambos assumiram a cumplicidade irrefletida da entrega prematura da intimidade física, e terminam por se compromissar a ela.

Argumentam alguns que, para saber se vai dar certo, têm que conferir se há compatibilidade sexual  e até morar juntos. Enganam-se!! O que experimentam não se assemelha à vida a dois em matrimônio, porque buscam seu próprio interesse, no sentido de possuir e receber. Vivem o egoísmo crescente a dois.

Ah… Se soubessem esperar…

O matrimônio quando vivido com intencionalidade, alcança o “amor verdadeiro”, a mais sublime dos matizes da vida a dois. Enquanto o egoísmo, que antecipa etapas, “empresta” para posteriormente tomar de volta, o amor doa-se para todo o sempre e em definitivo, em busca, antes de tudo, da felicidade do outro.

Vale a pena esperar!! Esta é expressão viva da fortaleza interior dos que de fato intencionam habilitar-se ao amor verdadeiro.

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