Carta ao Casal Católico que deseja esterelizar-se

20 07-2016
Carta ao Casal Católico que deseja esterelizar-se

Caríssimo Casal Católico

 Salve Jesus, Maria e José,Sagrada Família de Nazaré!

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            Não nos conhecemos bem e nem tivemos tempo para nos tornar amigos e no entanto, já os amo. Sim… pode parecer uma loucura mas não é. Explico-me: quando conhecemos o amor de Deus é Ele mesmO Quem nos pede para amar o nosso próximo por amor a Ele, isto é: eu os amo  não porque nos conhecemos bem, porque sejamos amigos, ou temos a mesma religião. Não. Eu os amo porque é assim que eu amo a Deus: “aquele que não ama seu irmão, a quem , é incapaz de amar a Deus, a quem não vê.” (Tg 2, 15)

E do que se trata este amor?

O amor que tenho para com vocês não é um sentimento, é o amor-caridade. A caridade é o ato da vontade (não do sentimento) de querer o bem de vocês. E se amar é querer bem ao outro, não existe maior bem que eu possa desejar para vocês do que a vida eterna. Estar no céu, face a face com o Pai, eternamente feliz, na comunhão de todos aqueles que amaram a Deus… sem fim…para sempre!

E isso, que raramente meditamos ou parece uma situação distante de nós… pode tornar-se realidade bem mais rápido do que pensamos: Insensato, esta noite a tua alma será chamada”, diz Jesus numa parábola relatando a atitude do homem que, depois de enriquecer-se, programa seu descanso nesta terra: ó minha alma, tens muitos bens em depósito para muitíssimos anos; descansa, come, bebe e regala-te.”.

Seria sensato meditarmos mais esta verdade: a figura deste mundo passa (I Cor 7, 31). E passa rápido. O que vai ficar é o AMOR com que amamos a Deus no nosso próximo. O resto, de nada adiantará termos nos matado para fazer.

E este é o problema por trás desta ato que vocês como casal estão com intenção de fazer: a esterelização permanenete. Ele não irá refletir o AMOR que vocês tem por Deus, um pelo outro e por seus filhos. E por isso, ele tem consequências para vocês nesta vida e na vida eterna. E é por isso que eu devo assumir a responsabilidade de esclarecer a gravedade deste ato para que, frente a Deus, vocês possam tomar uma decisão com conhecimento – e não movidos pela ingorância, medo, comodismo ou egoísmo. Peço que leem primeiro a minha carta, e só depois, olhem os links que colocarei para aprofundamento, para não perder o raciocínio da mesma.

Mas antes de falar sobre este ato – a decisão de se esterelizar para sempre – eu preciso anunciar para vocês a Boa Nova do Evangelho da Vida. Sim! Jesus veio nos trazer a Boa Nova: estávamos condenados eternamente, todos íamos passar a vida depois depois da morte eternamente infeliz, no inferno, e eis que o Pai envia seu Filho para nos redimir, nos salvar, nos abrir a porta do céu.

Agora, – agora sim! –  com a Redenção de Nosso Senhor, temos a chance de não irmos para o inferno, e sim para o céu. Só que a entrada na vida eterna feliz não é uma entrada automática, porque lá não entra robôs: entram pessoas que com sua liberdade, isto é com o seu “SIM” livre e consciente, escolheram a Deus, escolherem amar a Deus e servi-Lo. E foi exatamente para isso que Ele nos criou e é amando-O que teremos a felicidade que nosso coração tanto anseia. Ele é nosso Criador, Ele nos teceu no ventre de nossas mães… (Salmo 138). Ele sabe como nos tornar felizes. E a felicidade é estar com ELE para sempre!

Mas, meus amados irmãos, para entrar nesta bem aventurança, nesta felicidade, é preciso que Deus reine de fato em seu coração: é preciso que vocês entrem na dinâmica da graça, é preciso dizer SIM a Deus e não compactuar com a mentalidade do mundo. Porque tal como nos ensina Jesus Cristo: “Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição (Mt 7, 13).

É preciso, irmãos, viver no mundo sem ser dele: “O que vos mando é que vos ameis uns aos outros. Se o mundo vos odeia, sabei que me odiou a mim antes que a vós. Se fôsseis do mundo, o mundo vos amaria como sendo seus. Como, porém, não sois do mundo, mas do mundo vos escolhi, por isso o mundo vos odeia.” ( Jo 15, 18)

É preciso, irmãos, ter clareza sobre a nossa meta: estamos aqui como peregrinos! Nossa pátria definitiva é o céu! Sem abraçarmos esta verdade, sem meditarmos nisso facilmente colocamos nossas esperanças nas criaturas e nossas alegrias nos prazeres deste mundo, que hoje estão e amanhã já se tornaramm azedumes, produzindo vazios tremendos para nossa alma. Nossa alma quer Deus, e somente se saciará com Ele.

E vocês podem estar se perguntando: como podemos viver no mundo sem ser do mundo? Vivendo a vocação à santidade: Deus nos escolheu nEle antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis em sua presença” (Ef 1, 4)

 O meio para sermos santos é a vida de oração e a vida sacramental[1], que progressivamente  nos torna participantes da vida Divina até o ápice da união face a face com Deus[2]. Para isso devemos buscar a Deus, pautar nossas decisões no Evangelho, refletido como num espelho na vida de tantos santos que – de carne o osso como nós – souberam contar com a graça de Deus e aprenderam a amar. Amar a Deus no próximo.

A maior parte das pessoas são chamadas à santidade  fundando famílias santas, isto é, através da vivência plena do sacramento do Matrimônio. Famílias cujos pais tenham a preocupação – não de dar o melhor de material para seus filhos[3] – mas que com seu exemplo, oração e educação lhes revelem a Deus com Pai, lhes ensinem o caminho da vida eterna e gerem santos que, por sua vez, amarão a Deus de todo coração e com toda alma.[4]

Mas, irmãs, estamos numa sociedade doente. Moralmente e espiritualmente doente. Poderíamos dizer que muitos pais cristãos esqueceram de viver e educar o fruto de suas entranhas para o céu e vivem com os olhos fixos – não em Jesus Cristo -, mas como galinhas,  passam a vida com o pescoço curvado para os falsos teouros desta terra, tesouros que os ladrões roubam e as traças corroem.

Muitos destes pais vão na Igreja no Domingo, mas no dia a dia pautam a sua vida, sua conduta, suas decisões, exatamente como o mundo manda. Eles se esqueceram completamente do conselho do Redentor: “Não ajunteis para vós tesouros na terra, onde a ferrugem e as traças corroem, onde os ladrões furtam e roubam. Ajuntai para vós tesouros no céu, onde não os consomem nem as traças nem a ferrugem, e os ladrões não furtam nem roubam.” Mt 19-20 E também apagaram dos seus coraçãoes o aviso de São Paulo: “ A nossa presente tribulação, momentânea e ligeira, nos proporciona um peso eterno de glória incomensurável. Porque não miramos as coisas que se vêem, mas sim as que não se vêem . Pois as coisas que se vêem são temporais e as que não se vêem são eternas.” II Cor 4, 17

Na verdade, a tragédia maior, é que estes pais esqueceram que colaborar com Deus para gerar uma vida – não para ela ter “sucesso” neste mundo – mas para viver com ELE por toda a eternidade é a coisa mais importante e valiosa que podem fazer. Já paramos para pensar no que significa que Deus nos peça para colaborar com Ele para que um ser passe da “não existência” para a existência? É algo tão grandioso, sublime, divino que a resistência dos casais cristãos para terem uma família numerosa só mostra o desconhecimento desta realidade[5].

No fundo, nós sabemos bem, para um filho o melhor presente é, sem dúvida, outros irmãos. E a maior herança que uma familia deixa para a história, são filhos santos. Mas quando nos falta a visão sobrenatural da vida, o que nos resta? Este trecho da filósofa Alice Von Hildbrand pode nos ajudar a retomar esta visão:

Uma coisa é certa: quando chegar a hora, nada que tiver sido produzido pelo ser humano subsistirá. Um dia, todas as realizações humanas serão reduzidas a um monte de cinzas. Por outro lado, todas as crianças nascidas de mulher viverão eternamente, pois a elas foi concedida uma alma imortal, feita à imagem e semelhança de Deus. Sob essa luz, a afirmação de Simone de Beauvoir de que “as mulheres não produzem nada”, mostra-se especialmente ridícula.”

Por isso irmãos, antes de começarem a ver a lista dos vídeos que eu separei e coloquei numa ordem, eu gostaria de pedir dois atos da parte de vocês:

  • Uma oração sincera à Nossa Senhora pedindo que ela tire todas as escamas que estejam impedindo de entenderem o Plano de Amor que o Pai tem para vocês como casal cristão.
  • Perseverem até o fim dos links. Não será fácil mas perseverem, vale muito a pena conhecer o plano de Amor de Deus: para isso nascemos, para isso estamos aqui!
  • Implorem a graça de Deus, a intercessão da Virgem Maria e de seus Anjos da Guarda. Eu sei que são vários vídeos e artigos, mas depois de muito pensar e também pedir luzes a Deus, vi que era imprudente eu enviar o único vídeo que “responderia” sobre a gravedade da esterelização permanente. Eu vi que por terem decidido pela esterelização vocês deveriam previamente serem preparados com uma mini-catequese sobre o Plano de Amor de Deus e só depois seria adequedo então vocês assistirem o vídeo específico sobre a esterelização permanente.

Rogo a Sagrada Família de Nazaré e a todos os santos matrimônios que estão no céu – especialmente Santa Zélia e Luis Martin – que vocês possam começar um belíssimo caminho onde a vida, ordenada em Deus e buscando amá-Lo plenamente, começa a se tornar um verdadeiro caminho para o céu!

Um abraço fraterno,

Julie Maria

[1] https://padrepauloricardo.org/episodios/sabado-da-4-semana-da-pascoa-conhecer-jesus-na-eucaristia

[2] https://padrepauloricardo.org/episodios/quinta-feira-da-2-semana-do-tempo-comum-p-um-amor-desinteressado

[3] https://padrepauloricardo.org/episodios/quarta-feira-da-23-semana-comum-i-ai-de-vos-materialistas

[4] https://padrepauloricardo.org/blog/sou-casado-e-tenho-familia-a-santidade-e-para-mim

[5] https://padrepauloricardo.org/blog/meus-filhos-nao-percam-o-valor-nem-a-fe-em-jesus-cristo-escreve-asia-bibi

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