Sobre o Dia Internacional da Mulher

07 09-2012
Sobre o Dia Internacional da Mulher

Por: Felipe de Aquino

A última criatura que Deus criou foi a mulher; “tirada” do homem; com a mesma dignidade dele para ser-lhe “companheira adequada” (cf. Gen 2, 18) e para ser com ele “uma só carne” (Gen 2, 24). Um foi feito para o outro, completamente diferentes, no corpo e na alma, na voz e na força, nas lágrimas e na sensibilidade. Ao casal humano Deus entregou o destino do mundo: “Crescei e multiplicai, enchei a terra e submetei-a” (Gn 1, 28).

 Assim, o casal humano – homem e mulher – foram colocados por Deus como o fundamento da humanidade e da sociedade; destruir este arquétipo divino é destruir a própria humanidade.

 A mulher foi moldada por Deus para ser, sobretudo, mãe e esposa: delicada, meiga, compassiva, generosa, paciente. Um perigoso feminismo, “avançado”, tende a igualar entre si homem e mulher, destruindo a beleza da diferença dos dois sexos, especialmente a da mulher. É a perigosa ideologia de “gênero”, que destrói a humanidade na sua raiz. Muitas vezes, a palavra “gênero” aparece hoje no lugar da palavra “sexo”, com o intuito de eliminá-lo. Em vez de se falar de “diferença entre os sexos”, fala-se de “diferença entre os gêneros”. Essa palavra esconde toda uma perigosa ideologia. Os seus principais erros são esses:

 1 – Não existe um homem natural nem uma mulher natural. O ser humano nasce sexualmente neutro. A sociedade é que constrói os papéis masculinos ou femininos. “Gêneros” são papéis socialmente construídos. Não é a natureza – nem Deus –, mas a sociedade que impõe à mulher e ao homem certos comportamentos e certas normas diferentes segundo essa ideologia. Se as mulheres se casam com homens, e não com outras mulheres, isso não se deve à lei da natureza, mas à construção da sociedade. Se os homens se sentem na obrigação de trabalhar fora de casa para sustentar a família, enquanto as mulheres sentem necessidade de ficar com os filhos, nada disso é natural. São meros papéis, desempenhados por tradição, mas que poderiam perfeitamente ser trocados. Assim, a mulher, ingenuamente, “acredita” que seu lugar mais importante é o lar, que nasceu para se mãe, que deve sacrificar-se pelos filhos, que deve ser fiel ao marido… Tais “construções sociais” não têm fundamento, dizem as feministas.

 2 – Assim, é preciso “desconstruir” tais idéias, conscientizando a mulher de que ela está sendo enganada e explorada. Uma vez liberta de tais “construções sociais”, ela vê-se livre para construir a si mesma: pode livremente optar por ser lésbica, por não ser mãe ou por matar o filho concebido (ou, como se diz: “interromper a gravidez”). Tudo passa a ser permitido.

 A origem deste perigoso feminismo vem do filósofo alemão, amigo inseparável de Karl Marx, Friedrich Engels (1820-1895), juntos fundaram o chamado “socialismo científico” ou marxismo. Engels dizia: “O primeiro antagonismo de classes da história coincide com o desenvolvimento do antagonismo entre o homem e a mulher, unidos em matrimônio monógamo, e a primeira opressão de uma classe por outra, com a do sexo feminino pelo masculino” [“The Origin of the Family, Property and the State”, International Publishers, New York , 1972, pp. 65-66. 2].

 De acordo com a doutrina marxista, não há conciliação possível entre as classes, há que se eliminá-las. Seguindo a mesma linha, o feminismo atual, com bases no marxismo, não deseja simplesmente melhorias para as mulheres, mas sim, eliminar as “classes sexuais”. Diz a feminista radical Shulamith Firestone, em seu livro “The Dialectic of Sex” (A dialética do sexo): “(…) assegurar a eliminação das classes sexuais requer que a classe subjugada (as mulheres) faça uma revolução e se apodere do controle da reprodução, que se restaure à mulher a propriedade sobre seus próprios corpos, como também o controle feminino da fertilidade humana, incluindo tanto as novas tecnologias como todas as instituições sociais de nascimento e cuidado de crianças (…) a meta definitiva da revolução feminista deve ser igualmente não simplesmente acabar com o privilégio masculino, mas com a própria distinção de sexos: as diferenças genitais entre os seres humanos já não importariam culturalmente”.

 A respeito da mulher que opta por ficar em seu lar cuidando dos filhos, diz a feminista Christina Hoff Sommers: “Pensamos que nenhuma mulher deveria ter esta opção. Não se deveria autorizar a nenhuma mulher ficar em casa para cuidar de seus filhos. A sociedade deve ser totalmente diferente. As mulheres não devem ter essa opção, porque se essa opção existe, demasiadas mulheres decidirão por ela” [Sommers, Christina Hoff. Who Stole Feminism?, Simon & Shuster , New York , 1994, p.257].

 A civilização atual atravessa uma fase de rápido declínio moral. É a mulher, não-contaminada pela mentalidade dominante, com a sua intuição, sua preferência pelo amor profundo e estável, pela fraternidade e pela fé religiosa, que deve exercer uma tarefa muito elevada, indispensável para ajudar o homem a alcançar os valores superiores.

 Hoje, a opinião pública pressiona psicologicamente a mulher para que ela se realize “superando o homem”, de forma a que busque o sexo mais que o amor; o trabalho e a ciência mais que a geração e a educação dos filhos; o racionalismo mais que a fé; o feminismo e o conflito mais que a ternura; a igualdade de pensamento e de obrigações sociais mais que a complementaridade. Isso destrói a beleza original dela.

 O Papa Paulo VI ressaltava que “se o homem tem o primado da razão, a mulher tem o primado do coração”; e este não é menos importante. Por isso, a mulher não pode se afirmar na sociedade querendo copiar os erros do homem: corrupção, fraude, violência, aborto, eutanásia, exploração do sexo, cultura da morte, endeusamento da glória, do dinheiro e do prazer… Ao contrário, ela precisa trazer uma nova alma à sociedade, fruto da sua beleza e do seu amor.

Infelizmente, a própria mulher aceita e permite comercializar brutalmente o seu corpo, por dinheiro e glória, como se fosse uma coisa e não uma pessoa. Além disso, defende-se que a gravidez é incompatível com o seu contrato de trabalho, e muitas até aceitam a imposição do aborto para não prejudicar a profissão.

 O feminismo divulgou a idéia de que quem está fora do mercado de trabalho não tem valor. Por isso, há hoje uma geração de mulheres que não têm filhos; ou têm apenas um. O que será desse casal quando ambos envelhecerem? A família é quem oferece os cuidados básicos às pessoas idosas. Se muitos casais não tiverem filhos, haverá uma mudança drástica na sociedade, com muitos idosos sem amparo familiar. Hoje, é comum velhos morrerem sozinhos em seus apartamentos na Europa. Por outro lado, velhinhos fogem dos asilos da Holanda para a Alemanha com medo da eutanásia.

 O feminismo foi responsável por difundir essa visão de que apenas o trabalho importa e nada mais vale a pena. Com isso, muitas mulheres abandonaram a vida conjugal e familiar. Chegaremos a um ponto em que a sociedade vai entrar em pânico pela nova conjuntura, especialmente pela falta de crianças, como já acontece em toda a Europa.

 Há nitidamente no mundo hoje uma ação deliberada para “desconstruir” a família, e os principais pontos dessa estratégia estão em desvalorizar o casamento e a maternidade. Jamais a mulher poderá se realizar mais em outra vocação do que na maternidade. É aí que ela coopera – de maneira mais extraordinária – com Deus na obra da criação e, conseqüentemente, é aí que ela encontra a sua verdadeira realização. São Paulo afirma a Timóteo que: “A mulher será salva pela maternidade” (1Tm 2,15).

 Assim se expressou o Papa João Paulo II: “Não há dúvida de que a igual dignidade e responsabilidade do homem e da mulher justificam plenamente o acesso da mulher às tarefas públicas. Por outro lado, a verdadeira promoção da mulher exige também que seja reconhecido o valor da sua função materna e familiar em confronto com todas as outras tarefas públicas, em geral reservadas ao homem” (Exortação Apostólica “Familiaris Consortio”, 23).

 Sem o papel fundamental da mulher – como mãe e esposa, segundo o plano original de Deus –, a humanidade perecerá.

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